Foi diante de muito sofrimento que o nordestino construiu sua história, são muitos anos de luta contra o preconceito a desigualdade a fome a sede e miséria que circunda um povo genuinamente brasileiro.
Não obstante ainda se vê mulheres com seus rostos sofridos e mãos calejadas pelo tempo, caminhando vários quilômetros com a lata d’água na cabeça para sua sede amenizar; o peso da lata apoiado na rodilha construída com um velho tecido parece castigar ainda mais aquela que é filha da terra e sobrevive na luta deste chão.
Mulher do sertão, uma valente com afeições dóceis que vai ao poço pra água tirar; oxalá fosse só essa a labuta desta mulher que luta; o tempo passa e a cada ano a lata parece mais pesada, a caminhada mais longa, e o corpo, este já entorta procurando se adequar ao balanço da água no interior da velha lata, para assim mantê-la reta.
Lá no sertão a mata se mostra com seu tom mais acinzentado e traduz poucas esperanças de que ali ainda existe algo para nascer; mas ali... uma força se mistura com o sofrer e uma sensação única acontece, o povo sofrido que ali tem vivido, vive? Não vive, sobrevive, mas sempre feliz.
Imagino eu, tamanha felicidade é quando a chuva molha a terra e desterra todo sofrer de uma imensidão, são milhares, talvez milhões, quantos filhos dos sertões da sua terra fugiram por medo da chuva que talvez não viesse mais? Ser feliz este povo sabe como ser, e até pode ensinar, basta um deles encontrar por este mundão de meu Deus.
Incrível mas parece que nada muda com o passar dos anos, não engulo ou assimilo o país do futebol investir na construção de gigantes de concreto quando ao certo em algum lugar desta nação ainda há população sem luz elétrica, arroz e feijão; é vergonhoso ver que a grande massa crítica não passa de massa corrida maquiando a opinião dos pobres e oprimidos, que serão logo mais instrumentos de campanhas políticas e horário eleitoral para embasar mais uma vez as promessas daqueles que tem olhos, mas estes até o presente momento não foram direcionados para aqueles que necessitam ser vistos, vistos não com piedade, mas como pessoas dignas que constroem seu futuro nas incertezas do hoje.
Por: Cecílio B. Silva
Administrador de empresas, especialista em gestão de pessoas

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