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quinta-feira, 6 de março de 2014

Menino de 8 anos morre após ser espancado pelo pai

Criança teve o fígado dilacerado e apresentava hematomas por todo o corpo
O jornal O Globo noticiou nesta quarta-feira (5), detalhes sobre a morte do menino Alex, de 8 anos. O garoto era filho de Digna Medeiros, uma jovem de 29 anos, que vive em Mossoró, Rio Grande do Norte. Ameaçada pelo Conselho Tutelar de perder a guarda do filho, porque não mandava Alex à escola, Digna mandou o menino para o Rio para morar com o pai.
Horrorizado porque Alex gostava de dança do ventre e de lavar louça, o pai - Alex André - passou a aplicar o que chamou de "corretivos". Surrava o filho repetidas vezes para "ensiná-lo a andar como homem". No último dia 17, iniciou outra sessão de espancamento. Duas horas depois, Alex foi levado para um posto de saúde. Parecia desmaiado, com os olhos grandes, de cílios longos, entreabertos. Mas não havia mais o que fazer. Estava morto.
As sucessivas pancadas do pai dilaceraram o fígado do garoto. Uma hemorragia interna se seguiu, levando o menino, que gostava de forró e de brincar de carrinho, a óbito. A madrasta, Gisele Soares, que socorreu o enteado, afirmou que ele tinha desmaiado de repente, mas os médicos da UPA de Vila Kennedy desconfiaram logo de violência doméstica. O corpo de Alex, coberto de hematomas, era um mapa dos horrores do que ele vinha passando. O laudo do Instituto Médico Legal descreve em muitas linhas todo o sofrimento: a criança tinha escoriações nos joelhos, cotovelos, perto do ouvido esquerdo, no tórax, na região cervical; apresentava também equimoses na face, no tórax, no supercílio direito, no deltoide, punho esquerdo, braço e antebraços direitos, além de edemas no punho direito e na coxa direita. A legista Áurea Maria Tavares Torres também atestou que o corpo apresentava sinais de desnutrição.
O posto de saúde chamou o Conselho Tutelar de Bangu, providência que nenhum vizinho do menino havia tomado. Alex morava com o pai, a madrasta e outras cinco crianças num casebre na Vila Kennedy, uma área sem UPP, onde três facções rivais travam uma guerra.
No depoimento que o pai, apelidado pelos vizinhos de "monstro de Bangu", deu à polícia, há uma pista de que o menininho podia, de fato, sofrer os maus-tratos calado: "Enquanto batia, mais irritava o fato de ele não chorar, o que fazia o depoente crer que a lição que aplicava não estava sendo suficiente e que, por isso, batia mais e mais".
No depoimento à polícia, Alex André, que teve a prisão temporária decretada no último dia 19 pela juíza Nathalia Magluta e foi levado para o Complexo de Gericinó, disse que o filho "era de peitar", "partia para dentro de você". Segundo policiais que investigam o caso, a frieza de Alex André impressionou quem assistiu ao depoimento. Ele negou ter tido a intenção de matar, mas insistia que o filho tinha que ser "homem".
Digna, mãe de Alex, resolveu acompanhar de perto o desenrolar do caso. Deixou o bebê de 8 meses com amigos em Mossoró. O filho de 3 anos mora com os avós paternos. O mais velho, de 15, que ela não vê desde neném, ela quer encontrar no Rio.
Ela e o conselheiro tutelar foram os únicos que participaram do enterro de Alex. Mas a cena do menino no caixão branco, de blusinha listrada, ainda marcado pela violência, foi tão forte que levou pessoas de quatro velórios que eram realizados ao lado a sair de suas capelas para abraçar a mãe.
Violência contra crianças
A Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República lançou uma campanha de incentivo a denúncias de violência contra crianças e adolescentes, para o período de carnaval. A campanha usou os mascotes já tradicionais do serviço, adaptados para o feriado prolongado.
"Precisamos que a sociedade compre a briga da criança em todos os lugares do Brasil. O Disque 100 estará aqui também, 24 horas por dia, todos os dias do Carnaval, assim como no ano inteiro, sete dias por semana", disse a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, na época de lançamento da campanha. 
Discando 100, qualquer pessoa no Brasil pode denunciar casos de maus-tratos ou violência sexual contra crianças e adolescentes. No atendimento, são solicitados dados sobre a ocorrência, mas o denunciante não precisa se identificar. Os dados são passados para os conselhos tutelares e órgãos de segurança pública dos locais de ocorrência dos abusos. O denunciante também pode acompanhar o andamento da ocorrência .
Durante a Copa do Mundo, que será disputada entre junho e julho no Brasil, cada uma das 12 cidades-sede terá uma central de proteção à criança.
Uma pesquisa da Secretária de Direitos Humanos, divulgada em 2012, mostrou que 77% das denúncias registradas por meio do Disque 100 são relativas a violência contra crianças e adolescentes, o que corresponde a 120.344 casos relatados entre janeiro e novembro daquele ano.
No Disque Denúncia 181, serviço criado em 2000 pelo Instituto São Paulo contra a Violência e pelo governo paulista, por meio da Secretaria de Segurança Pública, foram registradas 6.603 denúncias de maus-tratos contra crianças entre janeiro e outubro de 2012 em todo o Estado, o que dá uma média diária de 22 denúncias.
Pesquisadores têm definido a violência como um fenômeno gerado nos processos sociais, levando pessoas, grupos e instituições a se agredirem mutuamente. Mas, no caso de crianças, não há  violência mútua, uma criança não agride um adulto reciprocamente.
Pouco importa os motivos que fizeram o pai de Alex cometer as agressões que levaram a morte do garoto. É necessário que a sociedade repudie e denuncie qualquer tipo de violência sofrida pelas crianças, para que casos como o de Alex, um menino de oito anos, espancado até a morte pelo pai, não voltem a acontecer.
FOTO: O Globo

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